Casa, cerâmica, ca. 25 – 220 d.C.. China.

Uma casa é a personificação de lar. O lar é onde se encontra o coração, um estado emocional de pertencer, de segurança, e de satisfação. Psiquicamente, a nossa primeira casa é o útero materno no qual nos desenvolvemos, e tal como os animais que fazem instintivamente as suas casas em ninhos, em tocas na terra, nos buracos das árvores, cavernas e fendas, muitas das primeiras casas por nós fabricadas eram estruturas uterinas íntimas e acolhedoras. Por todo o mundo, os desenhos das cavernas atestam a nossa presença primordial. Cabanas de lama em algumas regiões da África ainda são fabricadas segundo a forma do tronco feminino, com aberturas parecidas com vaginas como portas.

O lar é o sacramento e o ritual da relação, conjunção, solidão e nudez, representada na cozinha, quarto e banheiro. Não ter uma casa (edificação), não significa não ter lar. Nos bosques, desertos, na lua, num navio, num amigo querido, numa cidade especifica, um conjunto de circunstancias pode ser o lar (projetado).

Estes correspondem e contribuem para algo no interior, à experiencia de um centro vital de permanência e liberdade, de descanso depois do esforço, de se ser totalmente próprio.

A falta da casa esta ligada ao abandono, despojamento, instabilidade, desenraizamento, ânsia, vazio e desejo crônico. Para alguns, o lar parece inalcançável no aqui e no agora. Nos sonhos a mente é representada como uma casa.

A solidez estrutural da personalidade, a relação entre os seus aspectos pessoais e trans pessoais é igualmente sugerida na representação: a casa é solida ou não? há simetria entre vertical e horizontal? ou há desproporção? o espaço é restrito ou amplo? as manifestações externas do lar estão sujeitas a inúmeras variáveis. O lar foi idealizado. Nas mitologias do mundo, o nosso primeiro lar é um paraíso de unidade, uma época anterior à consciência e às suas descriminações em conflito. O lar pode ser uma prisão ou um abrigo de evitação, Estamos fixos ao lar, ou a um lar corporal. Na casa e no lar encontra – se a harmonia domestica. O lar pode representar a criação do Self (lar sadio), mas também a sua violação (acumulo, bagunça e sujeira). Nos fugimos do lar, procuramos o lar. O lar é o objetivo de odisseias épicas, de buscas espirituais e de transformações psíquica.

O livro dos Símbolos – reflexões sobre imagens arquetípicas – TASCHEN