Quem É Margo Belloni?

Para contar como a Organização Pessoal e a Arte Terapia entraram na minha vida, preciso fazer uma viagem no tempo:  fui um bebê notívago e gostava de brincar dentro do guarda-roupa. Lembro como se fosse hoje, minha mãe tirava tudo o que estava dentro, eu entrava, fechava a porta e lá dentro passava horas brincando.

Uma Criança Curiosa

Anos se passaram e conforme fui crescendo comecei a ficar curiosa sobre a casa das pessoas, andando de carro sempre que parávamos eu ficava olhando pela janela e imaginando como seria a vida das pessoas que viviam ali, como seria a decoração, se a casa era colorida, grande, se era bagunçada, o tamanho da família e isso virou um hábito. Fui de uma geração que brincava na rua e as casas ainda tinham muros baixos. Quando eu ficava na casa da minha avó paterna, subia e descia a rua fitando as janelas para ver se eu conseguia enxergar as coisas que imaginava em minha cabeça.

Sou a filha do meio de uma família de 4 irmãs (uma irmã 4 anos mais velha e duas irmãs 3 anos mais novas) e filhos do meio sempre são mais independente e autossuficientes pela própria condição de sanduíche que enfrenta. Nós morávamos em um apartamento pequeno e o quarto era compartilhado por mim e minhas 3 irmãs. Minha mãe, sempre organizada e muito preocupada com a limpeza, foi minha mestra nessa arte da organização.

A Paixão Pela Arquitetura

Quando eu estava com 11 anos, mudamos para uma casa enorme que meu pai construiu do zero. Eu ia com ele na obra todos os finais de semana e acho que daí vem minha paixão pela arquitetura. Como dito, a casa era grande e a logística para cuidados e manutenção também, é claro que minha mãe não fazia tudo sozinha, mas coordenava uma equipe grande de colaboradores, agindo como um maestro que orquestra uma sinfonia.

Minha mãe sempre foi muito cuidadosa e zelosa com tudo e me ensinou a ser assim também.  Todos os anos nos ajudava a encapar nossos livros e cadernos, ensinava sobre a responsabilidade de cuidar de nossos pertences, cobrava a organização do quarto e o zelo com nossos sapatos e malas, que eram de couro.

Nesta casa eu dividia o quarto com a minha irmã mais velha que sempre foi muito bagunceira. Ela tinha uns 3 guarda-roupas de 2 portas e eu tinha apenas 1. Todos os dias brigávamos porque ela deixava tudo espalhado pelo chão, amontoava as roupas que usava numa cadeira e eu vivia tropeçando em sapatos e livros que ela largava por todo canto. Mesmo com as cobranças da minha mãe, minha irmã não tomava jeito e como isso me incomodava muito passei a organizar as coisas dela por uma módica quantia de dinheiro. Desta forma, eu conseguia ter paz dentro do meu quarto e ela se livrava de levar os ralhos da minha mãe.

A Paixão Pela Arte Terapia

Sobre a Arte Terapia preciso voltar ao apartamento: minha mãe, desde que me conheço por gente, sempre fez trabalhos manuais como arranjos de flores e artesanatos de todos os tipos e também fazia com que praticássemos e nos expressássemos através de trabalhos artísticos. Nas férias, que eu passava em Atibaia com as minhas primas, minha mãe toda tarde nos colocava para pintar ou fazer alguma atividade ligada à criatividade. Hoje eu penso que ela poderia ter sido uma arte terapeuta, pois sempre, depois das atividades, ela nos colocava para pensar e falar à respeito.

Tanto a organização como a arte sempre foram presentes na minha vida, minha casa com os meus pais sempre teve um espaço dedicado a materiais de toda sorte como tecidos, miçangas, lantejoulas, papeis e arames. Hoje, sei fazer tudo o quê minha mãe faz, só me especializei um pouco mais: cortinas de cristal, joias, marchetaria, mosaicos e bordados, tanto que quando chegou a época do vestibular prestei para Artes Plásticas na FAAP. Entrei, cursei 2 anos e acabei interrompendo a faculdade para dar à luz. Quando voltei a ter contato com esse universo da arte e da casa, voltei a estudar Design de Interiores na Escola Pan-Americana de Artes, mas como queria um diploma, acabei prestando vestibular para Arquitetura e anos mais tarde estava formada.

Os Universos da Arquitetura e da Arte Terapia

Minha vida sempre foi permeada por esses dois universos e entre idas e vindas, hoje faço exatamente aquilo que me encanta, me fascina e revela minha essência. Para escrever esse texto tive que montar uma linha cronológica da minha vida e percebi que este sempre foi meu caminho. Não escolhi ser organizadora porque sou boa dona de casa ou por falta de opção, aliás o que não faltou para mim foi opção: sou arquiteta de formação, trabalhei na área e ainda assim o “chamado”  para fazer o que faço hoje foi mais forte.

Vejo a casa como uma materialização, uma manifestação do nosso inconsciente, como espaço de expressão ou de repressão. Ela nos declara silenciosamente aquilo que fazemos questão de ignorar sobre nós mesmos e sobre quem vive nela com a gente. A casa é uma narradora da nossa história, contada por meio de nossos objetos, é a personificação de algo que foi sonhado, projetado primeiro em nossas mentes. Nós nos fundimos à ela, assim como nosso corpo, aqui nesse plano, se funde com a nossa alma, nós lhe damos vida e condição de existir. A casa precisa da gente para se tornar viva e expressiva – uma casa vazia se deteriora rapidamente.

Por isso, penso que a casa, para algumas pessoas, seja motivo de tanta paixão ou de tanta aversão, uma vez que ela é uma testemunha física das nossas escolhas diárias. Assim, creio não ser possível dissociar a desordem externa da interna, são coisas que devem ser trabalhadas paralelamente. É nisso que eu acredito, é nisso que estou me tornando especialista.

Sou Arquiteta e Urbanista formada pela Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP)  e Organizadora Pessoal formada pela Yru Organizer e OZ! Organize sua vida, como também Arte Terapeuta formada pelo Instituto Sedes Sapientiae.